Pesquisadora do Multimundos apresenta trabalho na França sobre machismo na política de MT

Pesquisadora do Multimundos apresenta trabalho na França sobre machismo na política de MT

A pesquisadora do grupo de pesquisa Multimundos, doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (PPGECCO) e jornalista, Júlia Munhoz, apresentou no mês de julho, em Lyon, na França, um artigo intitulado “Mulheres na política partidária em Mato Grosso e a cultura do machismo”, durante o Congresso da Associação Internacional para Pesquisa em Mídia e Comunicação (IAMCR).

O artigo faz parte de um recorte preliminar da tese de doutorado da pesquisadora, em que mostra em três cenários diferentes, o silenciamento feminino através da cultura machista praticada por homens.

Segundo a pesquisadora, o estado de Mato Grosso é destaque nacional na produção agrícola mas é também possuidor de um grande índice de feminicídios. Ela mostra a presença das mulheres na política e o silenciamento que sofrem, independente do partido, seja de direita, centro ou esquerda. 

Segundo entrevista concedida no site Leia Agora, os três recortes são momentos diferentes dentro da história de Mato Grosso.  O primeiro foi o embate na TV Vila Real, do deputado federal, Abilio Brunini do PL e da deputada federal Gisela Simona do União Brasil, quando disputavam em 2020 a prefeitura de Cuiabá, em que ele fala para ela: “você é uma excelente candidata, apesar de ser mulher”. Abilio é um dos líderes do movimento bolsonarista de extrema direita.

O segundo recorte, é a postura do vereador Juca do Guaraná, do MDB, naquele momento ocupando a cadeira de presidente da Câmara de Cuiabá, quando chamou a vereadora Michele Alencar de “menina histérica”. Atualmente ela é do União Brasil, mas era do Democratas, mas defende os valores da direita. O União Brasil é um partido de centro e com líderes pertencentes à extrema direita. O vereador Jucá do Guaraná se desculpou depois do incidente.

O terceiro recorte é a fala do deputado estadual Gilberto Cattani, do PL, que comparou as mulheres grávidas às vacas. Seu partido é da extrema direita. É integrante do movimento bolsonarista. A pesquisa conta que o deputado estadual comparou as mulheres gestantes com vacas mais de uma vez, e ainda fez deboche com a comparação.

A pesquisadora aponta na entrevista no site Leia Agora como as mulheres são caladas não só ao longo da história passada, mas na história presente também. Ela finaliza a entrevista destacando que “é difícil hoje você falar em democracia quando 52% do eleitorado feminino não significa ser 52% da representatividade, nas legislaturas, no Congresso, nas Assembleias, nas Câmaras”.

*Com informações Site Leia Agora / edição Juliana Michaela L. Vieira – Jornalista e doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea (PPGECCO).

Link da entrevista – https://www.leiagora.com.br/noticia/140561/na-franca-pesquisadora-apresenta-retrato-da-cultura-machista-na-politica-de-mt

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